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26/01/2018 s 08:48
rfos da vida

O tempo nos proporciona um momento em que nos damos conta de que, dentro do diminuto espaço que ocupamos no mundo, a vida vai nos deixando sozinhos.  

Tempo, espaço, mundo, vida: eis aí os nossos condutores pela estrada que nós mesmos construímos. E nessa estrada sempre haverá, é claro, aqueles que nos ajudarão a percorrê-la, como haverá, também, quem fará de tudo para obstaculizar nossa caminhada por ela.

No tempo determinado pela natureza deixamos o espaço acolhedor e seguro de um mundo escondido, fechado, mágico, misterioso, chamado "ventre materno", onde, evidentemente, já há vida, para ocuparmos o espaço de um novo mundo, este visivelmente escancarado, pondo-nos durante todo o tempo de vida a todos os tipos de provação, imagináveis e inimagináveis.

O tempo de vida deveria ser do início ao fim, sem interrupção, pleno de alegria, de realização de sonhos, de convivência fraterna com familiares e amigos, e de esbanjamento de saúde. Mas, tal como as estações do ano, ela - a vida - é apenas uma efêmera estação do tempo!

Com efeito, gostaríamos que por toda a vida o tempo fosse somente de primavera, com o desabrochamento desses desejos manifestados e, obviamente, envolvidos pelo calor (verão) emanado de um coração puro, terno e preparado para dar frutos (outono) em qualquer espaço do mundo. Verão e outono seriam, dessa forma, respectivamente, semeadura e colheita dentro da própria primavera. E, assim, poderíamos, então, chamar a vida de "mãe", porque não há sobre a terra nada mais apropriado para representar tudo isso do que a figura materna.

Tristemente, o presente, com incrível rapidez, se torna passado. A primavera, aos poucos, vai desaparecendo, e a mãe vida, envelhecida e enfraquecida pelo tempo, acaba por nos abandonar em qualquer esquina (espaço) do tempo, que, agora, faz tudo perder a graça, porque o mundo já se cansou de nós e nós também não mais o suportamos. O calor (verão), até então existente nas ações altruístas, tornou-se por demais frio, e o outono deixou de dar frutos!

Com olhar melancólico perdido no infinito, sentimos que o inverno chegou sem dó nem piedade. Membros queridos da família já partiram. É possível contar nos dedos os amigos que ainda estão por aqui. Tudo isso nos angustia, porque a presença da ausência de pessoas amadas nos dá a certeza de que o tempo está nos tornando órfãos da própria vida.

Se pudéssemos dar ao inverno aparência feminina, haveríamos de perceber que ele (ou ela) apresentaria, no sentido figurativo, é claro, um conjunto de caracteres próprios de uma madrasta de índole má, que insiste em ser chamada também de "mãe". Seu nome é "morte", sendo, portanto madrasta da vida. Mas é tão tola a dona morte que ela parece não saber que lá, do outro lado, a mãe vida, forte e rejuvenescida, nos aguarda, de braços abertos, para, pela bondade do Criador, nos dar um espaço sem limites, permitindo-nos viver num mundo em que o sofrimento não mais existe, e que é coisa do passado a noção de tempo, porque o seu nome agora é "eternidade".

A presença de órfãos da vida só é possível, portanto,  no mundo terreno, material, finito. Que venha, então, a plenitude da vida celestial!

Obs.: Este artigo começou a ser escrito às 11 horas do dia 03.01.18, momento em que um amigo de infância e adolescência do autor estava sendo sepultado em Casa Branca - SP. 

Col.: Francisco Bueno

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